>Capitulo 21

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Lua Sangrenta
Loma
Apaz em minha mente durou pouco, e logo vi que não estava sozinha, e tinha queser ele?
“Oque aconteceu Loma?” Jake perguntou, eu tentei, mas não foi possível impedirque ele vise tudo o que tinha acontecido.
“Maldito.”Jake pensou, um rosnado enfurecido saiu por seus dentes.
“Ondeele está?” Jake perguntou, estávamos chegando à reserva e vimos Leah e Johanvindo até nós como humanos. Jake e eu nos ocultamos atrás das ultimas arvores elogo fomos até eles.
-Jake. – Leah começou insegura. – Temos que conversar…
-Eu já sei Leah, Chamem todos. – Leah e Johan saíram e, não demorou muito e elesestavam partindo atrás de Damen. As emoções em mim eram conflitantes, uma parteem mim sabia o quanto o que eles fizeram era ruim, porem a outra parte, a maiordelas, estava desesperada em saber que eles poderiam e com certeza iriam matarDamen.
Nãovi o tempo passar e nem a chuva fina começar a cair, só voltei a mim quandosenti braços finos me envolver, olhei por entre as lagrimas e vi a Emi.
-E-mi…
-Shii. Vai ficar tudo bem… Vem querida. – Emili me levou para sua casa,preparou um chocolate quente e me enrolou em um cobertor. Eu a ouvi falarcomigo porem minha mente não me deixava prestar atenção. Senti o chocolatedescer por minha garganta sem sentir o gosto dele, depois Emili me levou para oquarto. As horas nunca passaram tão lentamente, eu vi o céu escurecer e clarearsem conseguir nem cochilar.
Nooutro dia Emili veio ver como eu estava eu disse que estava bem, mas nãoestava, meu corpo estava dolorido e meu peito estava apertado, toda vez que otelefone tocava meu coração pulava dentro do peito, ela me contou que o Damen,o Alec e o Ever haviam fugido e eu me senti aliviada.
1ºdia
2ºdia
3ºdia
Eusaia do quarto, comia e voltava a deitar. Minha mente vagava em diversasdireções. Eu precisava saber o que estava acontecendo com o Damen.
-Não agüento mais. – Falei no terceiro dia. – Eu preciso de noticias deles.
-Não há como saber e nem nada que podemos fazer. – Realmente não havia nada afazer, todos os lobos estavam atrás dos três.
Euachava que iria enlouquecer, já fazia três dias e não tínhamos noticiasnenhuma.
-Posso entrar? – Marcya perguntou. Dei um sorriso fraco para minha amiga e adeixei entrar. – Como você esta? – Marcya perguntou apreensiva.
-Horrível. – Falei a abraçando, era bom poder desabafar. – Você tem noticiasdeles?
-Não, eles não entraram em contato conosco. – Ela estava estranha, pareciapreocupada, mas também parecia culpada.
-E eu estou. – Ela respondeu meu pensamento. “o que esta acontecendo Marcya? Meconta.” Ela desviou o olhar do meu. – É melhor você não saber. – Ela faloudepois de um tempo.
-Você sabe que eu devo saber, se não você não estaria aqui. – Ela ficou emsilencio e eu reforcei meu pedido “eu mereço saber Marcya, seja la o que for.”
-Ok, mas você não vai gostar. – A olhei preparada pra ouvir, mas o que elacontou era horrendo demais pra ser verdade. Senti meu estomago revirar e corripara o banheiro.
-Loma. – Marcya chamou preocupada. – O que esta acontecendo? Você esta bem?
-Estou. – Falei depois de lavar minha boca. Senti as lagrimas rolando em meurosto. Então ele realmente havia virado um monstro sem coração.
-Em sua defesa, ele não tem controle sobre isso, é mais forte que ele. – Marcyao defendeu.
-Não o defenda. – Gritei. Marcya não falou nada, só ficou em silencio. –Desculpa.
-Não precisa se desculpar. – Agora meus nervos também estavam em frangalhos, namesma hora que eu estava irritadíssima eu estava calma. Ela veio até mim e meabraçou. Novamente eu me sentia em um redemoinho de emoções, o amor gritanteque eu sentia por Damen duelava contra o asco que eu sentia pelo vampiro deolho vermelho ao qual eu não sabia quem era.
Damen
Evere Alec me conduziram pela floresta em um semi estado de torpor. Em minha mentesuper espaçosa eu lembrava de Loma, onde ela estaria e como ela estaria?
-Um pouco tarde pra pensar nisso não acha? – Ever perguntou, ele estava irritadodesde que começamos essa viagem. – Por que seria? – Ele falou sarcasticamente eeu bufei.
-Olha…
-Querem parar os dois. – Alec falou. – Eu também não queria estar aqui, nãoqueria ter deixado a Marcya, mas isso não vai mudar o que aconteceu e o fato deestarmos aqui, então vamos só continuar em silencio. – Sua voz era calma poremcheia de autoridade e eu me senti obrigado a me calar, Ever também ficou emsilencio.
***
Jáfazia três dias que estávamos correndo, havíamos passado por varias cidades eeu não achava que os lobos conseguiram nos encontrar. Para esconder nossorastro nós havíamos feito grande parte do percurso na água.
-Você esta certo. – Ever falou. Era a primeira vez que ele falava comigo. Eu mesentia mal por ele e por Alec, não era minha intenção ter trago tantosproblemas, eu só queria ser um ser imortal. – Você não pesou as conseqüências.
-Onde estamos? – Perguntei de repente, olhando para o céu. Um grande relâmpagorasgou o céu negro, mostrando uma lua vermelha. A mesma lua que vinhaaparecendo nos últimos dias.
-Lua sangrenta. – Alec murmurou olhando também para o céu. – Mau sinal.
-Vamos procurar um lugar pra ficarmos. – Ever falou tentando esconder o tremorna voz, ele era um supersticioso e todos sabíamos disso. Dei mais uma olhadapra lua, nada poderia ficar pior do que já estava.
Nãodemorou e conseguimos encontrar um pequeno povoado, encontramos uma cabanaabandonada oculta na floresta e como iríamos ficar menos de um ou dois dias ausamos.
-Precisamos saber onde estamos. – Falei novamente. E eu também queria muitopoder ligar pra Loma.
-Impossível. – Ever falou lendo minha intenção. E meu humor de recém nascidologo ferveu.
-Eu preciso saber como ela esta. – Gritei me colocando de pé. Quando Ever se levantouAlec se colocou entre nós.
-Sem brigas, os dois. – Relaxei, masnão totalmente. Alec olhou para mim e falou. – Precisamos caçar, você precisa caçar. Agora que ele faloueu vi que minha garganta queimava muito.
-Vamos. – Falei com urgência. Ever deu um passo e Alec tocou seu ombro.
-Tudo bem. Eu vou com ele, também preciso caçar.
Eurapidamente abati um urso negro e um cervo, Alec não estava totalmenteconcentrado em sua caça.
-Alec. – O chamei me aproximando dele. – Nós deveríamos procurar saber ondeestamos. – Ele me olhou e eu acompanhei seu olhar, eu estava todo sujo erasgado, porem esse não era o problema maior.
-Você pode usar seu dom em mim, e podemos arranjar alguma roupa próximo acidade. – Ele ponderou por alguns segundos e afirmou com a cabeça, porem nãofoi preciso nem nos mexer e ouvimos passos vindo em nossa direção. Não demoroumuito e os passos ficaram pesados, patas em vez de pés. Alec se colocou emposição de ataque e instintivamente me coloquei também, logo o cheiro nos atingiuforte e vimos ele entrar em nosso raio de visão.

>Capitulo 20

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A fuga dos três malditos

Lynnda

É realmente uma pena que nem tudo na vida saía como planejamos, que nem tudo que sonhamos e desejamos se realize e que as pessoas que amamos às vezes nos traiam de forma irreparável. E o pior é esta ansiedade estranha que ronda meu coração, como se algo extremamente ruim estivesse prestes a acontecer… Como uma sombra rondando o limiar de nossas vidas, indiferente ao nosso sofrimento, às nossas dores e nossas paixões.

Mas o que esperar de uma existência tão peculiar como a nossa? Onde lobisomens, vampiros e imortais coexistem numa trégua frágil e perigosa? Eu ainda não consegui me decidir sobre a imortalidade, não é uma decisão fácil e implica em diversos pormenores que a maioria das pessoas nem pensa ou se importa; afinal, quem poderia viver para sempre… Ou amar para sempre?

Ever me decepcionou ao extremo hoje, ele ocultou a transformação de Damen e junto de Alec transformaram nossa paz em pó; agora, Leah e Johan estão com o bando de lobos tentando argumentar sobre meu irmão. Eu me irrito de pensar como alguém tão antigo quanto Ever não foi capaz de pesar as conseqüências de seus atos, ele e Alec literalmente atiraram um tonel de gasolina no centro de uma casa em chamas e o fogo apenas aumentou ao invés de diminuir.

Sem contar Damen… Que garoto tolo. Ele abdicou de tanta coisa, tanta coisa que ainda não viveu e sentiu como um ser humano… Agora está fadado a viver como um morto-vivo e se alimentar de sangue pelo resto da eternidade. Mas há algo a mais… Existe uma estranha sombra de tensão, uma obscuridade nas almas de Ever, Alec e Damen que eu detectei graças aos dons imortais que estão despertando em mim… Há algo de errado na alma deles, como um buraco vazio, um nada corrosivo… Como se houvesse algo muito grave a ser ocultado de nós… A ser mantido em segredo.

Mas por quanto tempo os segredos podem ser mantidos? Para os humanos é mais fácil, algumas pessoas levam certos segredos para o túmulo, mas e quanto a nós, imortais, que jamais pereceremos… Conseguiremos manter segredo por tanto tempo ou por tempo indefinido?

Ensopada e com frio eu entrei na casa no momento exato em que Marcya a deixava, eu não olhei para ela e muito menos para Alec, corri para o quarto e me tranquei nele… Sentei-me no beiral da janela e fiquei olhando a chuva que ameaçava desabar novamente, os céus escuros pareciam não se importar com o nosso sofrimento e esperava ansioso por atirar mais tristeza em forma de chuva sobre a floresta escura. Um momento depois, notei quando Ever e Alec deixaram a casa com urgência e sentindo uma angustia crescente em meu coração, eu decidi descer e segui-los para ver até onde toda esta loucura me levaria.

No jardim, ouvi o ronco de trovões e relâmpagos cruzavam os céus, mas, por mais estranho que parecesse, eu olhei para cima e dei de cara com uma lua cheia avermelhada e sinistra me encarando sobre uma brecha nas nuvens raivosas… Não compreendi o significado disto, mas sabia que não era bom. Quando me enfiei na floresta seguindo o rastro de luminosidade deixada pelas auras de Alec e Ever eu senti que alguma coisa estava terrivelmente errada por ali… As árvores estavam com medo.

Caminhei durante um longo tempo seguindo-os até notar que eles haviam parado, tudo estava estranhamente silencioso e uma garoa fina tomava conta do mundo, me movi o mais silenciosamente possível tentando não despertar a atenção para mim, Alec tinha ouvidos aguçados e eu me surpreendi por ele ainda não ter me achado. Andei mais alguns passos e ouvi vozes e um rosnado assustador, então um som alto como o de árvores se fragmentando chagou até mim… Temendo o que veria eu surgi detrás de algumas folhagens para uma pequena clareira na mata e a visão que tive congelou o sangue em minhas veias.

Ever

Eu senti uma raiva desmedida crescer dentro de mim, ao ver Damen com o rapaz morto nos braços eu percebi que nossa situação saiu totalmente do controle e agora estávamos à mercê de um problema gigantesco: Damen matara um humano em terras quileutes.

Desta vez Alec não perdeu tempo e imobilizou Damen com seu dom anestésico atirando-o de encontro a um grupo de árvores, Damen reagiu rugindo, mas um segundo depois seus olhos raivosos voltaram ao foco e ele conseguiu nos encarar com calma… Neste instante ele percebeu nossos olhares sombrios e o gosto do sangue na própria boca, virou a cabeça lentamente para o lado e observou o rapaz morto.

- Ah, não… – disse ele lamentando-se e ocultando o rosto com as mãos.

- O que aconteceu??? – perguntou Alec com uma voz fria como o gelo.

- Loma me deixou, eu saí atrás dela… Queria dizer que tudo ficaria bem e que eu a amava e acho que encontrei o rapaz na estrada… Acho que o encontrei e não pude controlar a sede…

- Não é um quileutes, é? – Alec perguntou.

- Por sorte não… Mas isso não muda nada – eu respondi – Ele foi morto em terras de La Push.

- Você está morto… – suspirou Alec.

- Ótimo – disse Damen com raiva de repente – Assim ao menos esta agonia que sinto terá fim! Loma me deixou e eu me tornei um assassino, não quero mais continuar assim… Prefiro morrer de uma vez.

- Seu tolo – esbravejou Alec – É muito fácil para você morrer agora… E quanto a nós, eu e Ever, temos que suportar o fardo de sua escolha infeliz? Todos nos culparam por você ter se tornado um vampiro.

- Já não me importo mais… – disse Damen sem emoção.

Então Alec perdeu a calma, com uma raiva assassina ele se atirou sobre Damen prensando-o contra uma arvora alta da floresta, o tronco escuro fragmentou-se em centenas de lascas sob o impacto e eu pude ouvir a voz furiosa de Alec gritando em meio à balburdia.

- Se você quer morrer seu maldito… Eu vou matá-lo por ter nos amaldiçoado.

Eu francamente não me dispus a impedir Alec de matar Damen, mas senti repentinamente a presença de outra pessoa, alguém com uma aura prateada como o brilho das estrelas; subitamente Alec parou de gritar e Damen me encarou com a expressão aterrorizada, os dois vampiros haviam sentido o cheiro dela. Alec apenas baixou a cabeça suspirando.

- Droga… Agora realmente estamos com problemas.

Eu me virei lentamente sentindo meu coração congelar em meu peito, encarei momentaneamente a floresta e lá, do meio dela, surgiu um brilho cintilante desabrochando pelo meio das folhagens fechadas, um segundo depois, Lynnda surgiu na clareira e seu olhar fez-me sentir o homem mais insignificante do mundo.

- Damen? – ela perguntou numa voz falha, a voz que eu amava tanto.

Lynnda correu seu olhar por mim e Alec segurando o irmão e instantaneamente notou o corpo inerte do rapaz que Damen acabara de matar. Seus olhos de um castanho claro e luminoso se abriram em um entendimento de horror, ela deu um passo incerto em nossa direção, mas parou imediatamente.

- Lynnda… – eu chamei preocupado.

- Você o matou? – ela perguntou encarando o irmão.

- Eu não pude me controlar… – choramingou Damen.

E neste mesmo momento para piorar a situação, Alec se enrijeceu e afastou-se de Damen encarando a parte oposta da mata, eu também senti quando ela chegou: Marcya. Deixou a proteção das árvores e a mesma expressão que habitava o rosto de Lynnda a pouco, surgiu no rosto de minha irmã. Seus olhos azuis e faiscantes nos olharam com horror e o corpo do rapaz morto lhe causou repulsa.

- Eu não acredito nisso… Mais um? – ela falou sem pensar.

- Como assim mais um? – perguntou Lynnda enquanto as lágrimas cobriam seu lindo rosto – Damen, quantas pessoas você já matou?

-Eu não conseguia me controlar… – justificou-se Damen precariamente.

- E o que vocês pretendem fazer agora que não há nenhum mar gelado para enterrar o garoto? – gritou Marcya evocando as nossas lembranças mais recentes – Vão acobertar isso também?

- Marcya – chamou Alec – Damen é irmão de Lynnda, o que espera que façamos? Você irá entregá-lo aos lobos?

- Vejam o que vocês fizeram… – disse Marcya e eu senti toda a mágoa em sua voz.

Eu sabia por que Marcya estava tão transtornada, depois de milênios ela pensou que havia encontrado o seu lugar no mundo, um amor e uma família… Agora nós tiramos isso dela quando Damen decidiu ser um vampiro. De fato, ousamos pensar que poderíamos controlar o poder descomunal dos recém-nascidos… Mas falhamos totalmente nesta missão, foi uma tolice crer que Damen poderia se portar como Bella que pulou totalmente o estágio dos recém-nascidos. Agora provavelmente destruímos tudo o que tão lentamente havíamos conquistado.

- A questão é: o que faremos agora? – disse Alec encarando Marcya.

- Vocês não podem manter isso em segredo por mais tempo… Ou será que não perceberam que mentiras apenas pioram a situação.

- Mas Marcya, você tem que concord… – comecei a dizer, mas um sentimento de perigo me fez calar quase que imediatamente.

Alec parou e Damen também, Marcya lentamente caminhou para perto de nós e mesmo Lynnda com seus poderes ainda aflorando pôde sentir: havia vários corpos imensos próximos a nós, nos cercando, fechando o perímetro; eu percebi a aura de poder que eles emanavam antes mesmo de sentir seus corações pulsando. Logo, um uivo ensurdecedor nos atingiu fazendo com que os vampiros cobrissem os ouvidos, eu me posicionei à frente de Lynnda e de Marcya mesmo sabendo que não adiantaria. Estávamos cercados.

- É – eu suspirei por fim – Agora estamos realmente com problemas sérios.

Então, um a um, os lobos deixaram a escuridão das matas e se posicionaram em círculos ao nosso redor, eram imensos e muito mais altos que nós, fortes e ameaçadores e seus pensamentos caíram imediatamente sobre o corpo do rapaz morto e sobre Damen e Alec.

“Foi o recém-nascido” – pensou Leah ignorando por completo o nome de Damen e parecendo esquecer-se que o conhecia.

“Eu sabia que isso traria problemas…” – suspirou Johan.

E todos os lobos continuaram com seus pensamentos raivosos para nós, alguns queriam trucidar os dois vampiros sem qualquer demora, mas então eu percebi quando Seth impôs seu pensamento a todos.

“Essa ordem tem de ser dada pelo Alfa… ele já está aqui… aguardem um momento”.

Então eu soube que estávamos perdidos, pouco depois de Seth ter se pronunciado eu senti um grande poder se aproximando de nós, olhamos todos para uma pequena elevação da floresta e então, lentamente, um lobo maior que todos os lobos surgiu em seu esplendor coberto por uma pelagem castanha, olhou-nos com olhos dourados e cheio de significado e seus pensamentos eram mudos a mim; lá estava o Alfa, o mais poderoso dentre todos os lobos de La Push: Jacob Black.

E ele não gostava nem um pouco de mim… E muito menos de Alec.

O grande lobo avermelhado recuou e desceu a pequena colina margeando por trás das árvores, ouve uma demora enervante e um segundo depois Jacob apareceu em sua forma humana trajando apenas uma calça jeans, os lobos sempre carregavam roupas quando desejavam falar com os humanos, o que pareceu menos mal… Significava que não iriam nos matar sem conversar primeiro.

Jacob, do alto de sua imponência, olhou-nos com uma expressão sombria no rosto… Divisou primeiro Alec segurando Damen e depois eu, Lynnda e Marcya, entretanto, a raiva tomou conta de sua face quando ele viu o rapaz morto no chão.

- Rupert Orson… O filho do velho Orson que tem um pequeno sítio na estrada para Port Angeles… Tinha 14 anos e era quem ajudava o velho cuidar da pequena mercearia com produtos que eles mesmos produziam. Um bom rapaz…

- Jacob… – eu comecei a falar, mas o olhar do Alfa me calou.

- Vocês imortais não são bem vindos dentro de nossa floresta, muito menos você… Volturi. – Jacob disse apontando para Alec e os lobos se aproximaram ainda mais.

- Damen escolheu esta vida, Jacob… É um direito dele. – disse Alec se defendendo.

- Também era um direito de Rupert viver… – respondeu Jacob, a raiva aumentando – Você conhece as leis de La Push, Volturi… Agora terá de pagar pelo seu erro.

- Jacob – chamou Lynnda empalidecendo no mesmo instante – Por favor, tenha calma, ele é meu irmão…

- Que escolheu o caminho da morte. Eu sinto muito Lynnda, sinto mesmo, mas eu não posso ignorar o que aconteceu aqui e como aconteceu, este rapaz não merecia morrer desta forma… Os lobos existem para proteger a vida humana, os Cullen têm um acordo conosco de jamais ferir um humano em nosso território; a pedido deles nós aceitamos Alec Volturi em nosso meio… E agora me arrependo disso.

- Jacob – eu comecei a falar tentando manter a calma – Eu sei que isso foi uma fatalidade, mas entenda que Damen e Alec não fizeram isso com a intenção de prejudicar vocês ou qualquer humano. O que aconteceu foi uma fatalidade.

-De fato, Ever – disse Jacob cuspindo meu nome – Uma fatalidade que cuidaremos para não tornar a acontecer, a vinda de vocês para cá só trouxe desgraça, antes tínhamos que nos preocupar com a sombra crescente de escuridão dos Volturi, mas, agora, também ficamos à mercê dos Imortais cujo grupo e poder são tão grandes quanto o dos vampiros. Sua raça é antiga e presunçosa, Ever, garanto que você sabia o tempo todo que isso estava acontecendo, mas sua indiferença fora tão grande que não impediu o irmão de sua amada de fazer esta besteira.

- Eu sei que você não gosta de mim, Jacob. Mas deixar de me ouvir por ciúmes de Renesmee apenas pioraria as coisas, nesta situação não deveríamos envolver os nossos pessoais.

- Não envolva Renesmee neste assunto Ever, o fato é que não gosto de você, pois não confio nos Imortais… Sei que são seres de grande poder e que se consideram superiores a todos os outros. E confio muito menos nos indivíduos que carregam Volturi no sobrenome.

- Jacob – chamou Alec – Eu tenho vivido de acordo com as leis de La Push, me alimento de sangue animal há algum tempo e jamais voltei a ferir um humano, infelizmente não posso mudar o meu passado ou o peso que ele implica sobre meus ombros, entretanto, considere a possibilidade da escolha de Damen, ele é livre para decidir o que quer… Assim como Bella decidiu ser uma vampira.

- A história de Bella e Edward é totalmente diferente, Volturi. Este vampiro – disse Jacob apontando para Damen – Infringiu as leis de La Push… E pelas leis de La Push ele será punido. Não permitimos que vampiros matem em nosso território, não permitimos que vampiros ceifem a vida de um humano… E, pelo que bem sabemos, este pobre rapaz não foi o único.

- Damen? – chamou Lynnda com a voz fraca – Ele não foi o único?

Mas Damen não respondeu, ele forçou Alec a soltá-lo e caminhou até a frente de todos nós e perante Jacob Black parou, abriu os braços e olhou o líder lobo nos olhos, Damen tinha uma expressão de culpa e amargura no rosto.

- Pode tomar a minha vida, Jacob Black – disse ele – Eu matei todos aquelas pessoas, não fiz isso em sã consciência, mas tomado pela sede de recém-nascido, eu não sou assassino, mas se a minha morte aplacar a fúria dos lobos e o mal que eu causei… Então ela é sua, mas deixa Alec fora disso… A escolha foi minha e apenas minha.

- Não é assim que funciona, Damen – respondeu Jacob – Alec Volturi violou a Lei… Vocês todos violaram, principalmente os imortais que lêem pensamentos, podem não ter ajudado, mas co-auxiliaram nessa empreitada. Mesmo você Marcya, já desconfiava disso, Ever e Alec são mestres em esconder seus pensamentos, mas duvido que Damen tenha conseguido isso… Todos vocês são cúmplices destas mortes e da infelicidade de Loma… Por isso, não atrapalhem ainda mais… Alec e Damen devem pagar por seus erros.

- Eu não posso permitir isso, Jacob. – eu disse em tom de ameaça, apesar de que minha voz saiu cansada e pesarosa pelo que estava prestes a ocorrer.

- Infelizmente, Imortal, você não está em posição de negociatas.

Jacob Black não estava brincando, eu compreendia a fúria que os lobos sentiam, afinal, um humano fora morto em suas terras e outros antes deste… Mas, ainda assim, eu senti uma pontada de mágoa quando vi Johan e Leah entre eles, obviamente eu sabia que eles eram obrigados a seguirem o Alfa, mas, ainda assim, eles conheciam Alec e Damen… Havia convivido e vivido com os dois sob o mesmo teto. Não era traição o que eu senti, mas uma pequena pontada de tristeza.

Os lobos deram um passo a mais, Marcya recuou e ficou ao lado de Alec enquanto Lynnda corria de encontro à Damen, subitamente eu senti o perigo eminente e não pensei duas vezes… Acionei meu poder e parei o tempo instantaneamente. Todo o mundo parou, as folhas que desprendiam-se das árvores ficaram estáticas no ar, ninguém respirava ou se movia; os lobos permaneceram em seus lugares enquanto eu me aproximei do pequeno grupo no centro da clareira, perto deles eu mudei a rotação do tempo para que eles compartilhassem da minha bolha temporal.

Todos me olharam um pouco abalados ao notarem que o mundo estava estático, Lynnda respirou fundo e se assustou, Marcya – a única conhecedora de meu poder – me olhou rápido perguntando:

- E agora?

- Temos que tirar Alec e Damen daqui, os lobos não irão ameaçar vocês duas, imagino que Leah e Johan não guardem ressentimentos por Lynnda ou você.

- Ever, o que está havendo? – Lynnda perguntou assustada.

- Ele controla o tempo… – disse Alec num sussurro – Você é mais poderoso do que eu havia suposto, Ever… Então você é aquele dentre os Imortais que controla o tempo… Um poder extremamente perigoso.

- Não há tempo para explicações, Alec, não se quisermos manter você e Damen vivos. Temos que fugir daqui, vocês ouviram Jacob Black, os lobos não perdoarão os assassinatos cometidos por Damen… Não somos mais bem vindo à La Push.

- Mas para onde vocês vão? – quis saber Marcya.

- Não sabemos ainda… Para muito longe. O suficiente para que os lobos não possam ir, ou desejem se afastar tanto… – disse Alec.

- Eu ferrei tudo… – lamentou-se Damen.

- O que está feito está feito… Temos que correr – eu disse – Manter o tempo parado consome todas as minhas energias, e nós temos que nos afastar muito antes que os lobos encontrem o nosso rastro, eles são tão velozes quanto os vampiros. Temos que ir, agora.

- Espero que algum dia você possa me perdoar – disse Alec beijando minha irmã.

- Tchau, maninha – Damen falou para Lynnda abraçando-a com força, ela então se voltou para mim.

- Mantenha-o em segurança, por favor.

- Eu farei o que for preciso – respondi incerto – Eu realmente sinto muito, Lynnda.

- Apenas se mantenham a salvos, está bem? – ela disse me olhando tristemente.

- Eu a amo, independente do que houve ou de que vir a acontecer… Sempre vou amá-la.

- Amo você também… Seu imortal idiota – respondeu Lynnda saltando para mim e me beijando demoradamente.

- Vamos – eu disse me desprendendo dela.

Alec e Damen saltaram para a floresta e eu me afastei de Lynnda e de minha irmã… Assim que elas ficaram a uma certa distância, meu laço temporal se desfez ao redor delas e as duas entraram no mundo estático que eu agora controlava. Lynnda ainda me olhava com seus olhos brilhantes e inexoravelmente imóveis… Eu farei o que for preciso para permanecer perto dela novamente; após esta última olhada, eu me afastei correndo pela mata enquanto minhas forças eram reduzidas rapidamente pelo esforço de manter o tempo parado.

Lynnda

Num piscar de olhos eles sumiram, eu não sabia quão longe eles haviam conseguido correr ou por quantas horas ou minutos Ever pôde manter o tempo parado, os lobos se mexeram incomodados e surpresos à nossa volta; Jacob olhou para todos os lados e a raiva estampava seu rosto.

- Maldito imortal – ele disse baixinho – Maldito imortal… Malditos sejam os três.

- Jacob – chamou Marcya – Ninguém sabia que isso poderia vir a acontecer.

- Diga isso à família do rapaz morto, Marcya… Quill, Seth, Leah, Jared e Johan… Vão atrás deles e descubram até onde o rastro os levará. Eu preciso levar o corpo de Rupert para os pais deles. Quanto a vocês duas, voltem para a casa de Carlisle, estarão mais segura lá.

Jacob caminhou até o rapaz morto erguendo-o nos braços, os lobos designados a perseguir Ever, Alec e Damen partiram sem demora… Apenas Leah nos lançou um olhar de pesar. Eu senti, momentaneamente, uma raiva lancinante por Jacob Black, mas eu sabia que ele não era o culpado, a aura espiritual dele era dourada como o sol… Uma aura pura, corajosa e incorruptível; ele apenas seguia o código dos Lobos.

E eu sabia que Damen agora era um assassino e que sua decisão influenciou nossos destinos… Ele levou para o abismo não apenas Alec como também meu Ever e neste momento todos oscilávamos num ínfimo vácuo de medo e esperança.

>Capitulo 17

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Calmaria antes da tormenta

Loma

Damen e eu adentramos a floresta em um silencio incomodo, minha cabeça dava voltas e meu inconsciente não reconhecia o homem que caminhava na minha frente. Damen parou e me encarou, eu o olhava mais não o via, procurava qualquer coisa do velho Damen no vampiro a minha frente, procurava uma única semelhança com o amor da minha vida.

-Loma diz alguma coisa. – Damen pediu se aproximando de mim, instintivamente dei dois passos pra trás. Ele levantou a mão com a palma virada pra mim, num símbolo clássico de que não faria nada.

-Eu não tenho nada a falar… Que eu me lembre foi você quem pediu pra falar comigo. – Minha voz saiu afiada e até eu me assustei com a fúria nela. Seu cheiro me incomodava um pouco e seus olhos me causavam arrepio, eu amava seus lindos olhos azuis, tão profundos.

A floresta estava silenciosa, as grandes arvores impediam a chuva que caia nos atingir, eu não conseguia acreditar que Damen tinha feito isso, não o meu Damen.

-O que você quer falar? – Perguntei, tentando controlar meu tom.

-Eu te amo Loma, e isso nunca vai mudar. – Eu o olhei por algum tempo, era como se eu não entendesse o sentido de suas palavras.

-Tudo mudou Damen, você não vê…

-Não. – Ele me interrompeu, dando outro passo em minha direção, recuei novamente, meu peito acelerou, mas não do jeito que eu esperava. Pude ver a dor cruzar seus olhos.

-Vai direto ao ponto Damen. – Eu estava aterrorizada.

-Eu quero você, tudo o que eu fiz foi por você, eu te amo e quero viver com você eternamente.

-Eu não sou eterna. – O lembrei.

-Você pode ser. – Neguei com a cabeça. De todas as coisas que haviam mudado, tinha algo que eu não consegui identificar. Damen novamente veio em minha direção, ele passou a mão levemente pelo meu rosto, parte de mim quis tira-la dali, porem outra parte a reconheceu. – Você também me ama. – Ele sussurrou, seu hálito doce e frio fez cócegas no meu rosto, meus sentimentos estavam conflitantes, eu não sabia exatamente o que eu estava sentindo. Damen acabou com a distancia entre nós vagarosamente e tocou seus lábios nos meus. Repulsa e desejo cresceram dentro de mim, uma de suas mãos tocou minha cintura mandando um arrepio por todo meu corpo.

Damen

Tudo o que eu tinha feito tinha um motivo, Loma. Eu a amava mais que tudo, e uma vida somente era pouco pra viver esse amor. Eu nunca entendi a Lynnda não querer a imortalidade, enquanto eu a desejava tanto. Loma não precisava morrer nunca, nós poderíamos viver felizes por toda eternidade.

Enquanto caminhávamos floresta a dentro eu repetia pra mim mesmo que tudo que eu havia feito, era certo. Mas quando ela se afastou de mim senti uma dor, diferente de todas que eu vivi nos últimos dias, me cortar por dentro. Pela terceira vez me aproximei e ela não recuou, fui ousado ao dizer:

-Você também me ama. – Ela não negou, seu corpo quente estava tão próximo do meu, sei cheiro pra mim era esplêndido, ela era a mulher da minha eternidade. Lembrando sempre de ser cuidado, me aproximei. Toquei nossos lábios e uma emoção diferente me dominou, era mais forte que tudo. Desejo pulsou em cada fibra do meu corpo imortal. O beijo se tornou feroz e em questão de segundos nos livramos de nossas roupas, e nos amamos.

Minha Loma, seu corpo suada descansava sobre meu peito, tracei delicadamente suas costas e a vi abrir os olhos. Ela me olhou e eu não vi o que eu esperava, de um pulo ela levantou e pegou suas roupas.

-Amor… Eu estava confuso, todo o desejo havia sumido e eu não reconhecia aquela Loma a minha frente, ela me interrompeu.

-Isso foi um erro… Eu vou embora.

-Como assim um erro, Loma. – Minha voz saiu em um rosnado alto, e uma fúria tomou conta de mim, como assim ela achava que o que fizemos era um erro? Nós nos amávamos, ela era minha. Loma deu passo pra trás.

-Não me siga. – Ela gritou e logo um enorme lobo estava na minha frente, Loma recuou enrugando o nariz, e eu senti outra vez fúria e dor, meu cheiro a incomodava. Ela virou e correu, eu poderia a seguir, mas naquele momento eu não tinha forças pra isso.

Leah

Dias antes

A dor de se sentir só

A alegria de ter alguém

Um único objetivo

Ser feliz

Eu estava feliz e tinha medo, pois sabia como era ser feliz e perder tudo de repente. Sentei-me olhando para o espelho, quantas mudanças em minha vida. Eu sonhava em ter minha casa, meus filhos e então o destino me tirou tudo, meu amor, alguns anos depois meu pai e então eu me tornei loba e acabou todas as chances de ser mãe, construir uma família. Eu mudei por fora cortei o cabelo, mudei meu estilo de roupa, por dentro me tornei amarga, rancorosa e triste. Os anos passaram e então ele nasceu, trazendo vida pro meu coração. Johan foi a criança mais esperta que eu já vi, um menino arteiro e brincalhão, um adolescente festeiro e galante e é um homem esplêndido, lindo e perfeito. Agora eu mudei novamente, por fora deixei o cabelo crescer novamente, voltei a me cuidar, por dentro me sinto feliz, completa e amada. Mas temo ser tão feliz, toda essa paz me lembra a calmaria antes da tormenta.

Ouvi o toque do meu celular.

-Alo?

-Leah?

-Sim. Quem fala?

-Oi, é a Karla.

-Olá Karla, tudo bom?

-Tudo… Eu to ligando pra avisar que na próxima semana é a prova final e você tem que fazê-la.

-Ah… Ok, obrigada Karla.

Desliguei o celular e sentei-me, havia me esquecido da faculdade, estava tão envolvida em meu mundo, mas eu não poderia largar tudo no ultimo momento.

Os dias passavam tranqüilos, ia praticamente todos os dias na casa das meninas, os garotos, tirando o Ever, estavam em um acampamento e Loma estava estranha. Ela ficou ainda mais preocupada quando Ever voltou e Damen não.

***

-Leah vem ver isso. – Minha mãe chamou da sala. Desci e fui até onde ela estava, ela estava vendo uma noticia no jornal e eu logo fiquei estacada no lugar.

“Mais um misterioso corpo aparece em Port. Angeles.” Dizia o jornalista. Não foi preciso muito para eu saber que do que se tratava.

-Leah? – Minha mãe gritou enquanto eu corria porta a fora. Antes que eu entrasse na floresta ouvi Johan me chamando.

-Você viu o jornal? – Ele perguntou antes de chegar até mim, afirmei com a cabeça, ele me envolveu em um abraço e depois me deu um selinho rápido, estava tão tenso quanto eu. –O que faremos?

-O que Sam disse?

-Meus pais não estão, foram pra Seatles com minha irmã.

-Ok. Seth também não esta, eles foram pra corrida.

-Então os Cullen também devem ter ido.

-Com certeza… Vamos falar com a Loma, o Alec e o pessoal talvez eles possam nos ajudar.

-Você acha que são vampiros? Sabe o que esta fazendo isso em Port. Angeles.

-Com certeza.

Transformamos-nos e rapidamente chegamos na casa dos meninos, todos acabaram concordando conosco que certamente havia um vampiro em Port. Angeles. Ever e Alec resolveram ir olhar a região e eu achei estranho eles não aceitarem nossa ajuda.

-Acho melhor avisarmos o Jake. – Falei algum tempo depois que eles saíram.

-Vamos esperar eles voltarem pra sabermos se tem alguma novidade. – Johan falou acariciando minha mão, eu estava ansiosa e não gostava de ficar parada esperando. Levantei e caminhei de um a lado a outro da sala.

-Leah. Calma amor. – Johan pediu, algo me estava errado e não era só as mortes relatadas na TV. Esperamos até que os meninos voltassem e então eu senti todos os meus instintos gritarem dentro de mim. O vento trouxe o cheiro de Alec e Ever até nós e junto com ele um cheiro estranho, um vampiro com certeza, mas quem? Johan e eu saímos juntos porta a fora e vimos Alec vindo em nossa direção.

-Quem é o estranho? – Perguntei. Dei um passo atrás e Johan instintivamente se posicionou parcialmente na minha frente.

- Um momento Leah… Por favor – pediu Alec.

- É um vampiro… Um estranho vampiro – comentou Johan. E realmente ele era diferente e ao mesmo tempo parecia tão familiar.

- Ouçam… É muito importante… Há algum tempo atrás, Damen veio até mim preocupado com a relação dele com Loma… Ele temia envelhecer e morrer e perder Loma para sempre… Então me pediu para se tornar um imortal. – Um arrepio percorreu todo meu corpo, ele não seria louco pra fazer isso.

- Alec? – chamou Marcya e seu rosto tinha a sombra do medo.

- Há quase uma semana atrás eu o transformei em um vampiro – disse Alec sem pestanejar. Pude sentir todo meu corpo tremer e um rosnado baixo saiu da boca de Johan.

- Você fez o quê? – disse Lynnda com a voz falha.

- Você sabe que isso é proibido, Volturi… – rugiu Johan. Seu corpo também tremia muito, Alec não tinha esse direito, o direito de tirar uma vida e isso acabava com nosso trato.

- Foi uma decisão dele…

- Não funciona desse jeito, Alec – Falei em um rosnado. – Não aqui e não em nosso território.

- Ele não foi transformado aqui, Leah… – respondeu Alec – Eu o levei até um local distante ao norte do Canadá, próximo à passagem para o Alasca e Alec ficou lá todo este tempo anestesiado pelo meu dom. – Isso não faria diferença, ele havia o transformado e nós sabíamos. Mesmo Alec e Damen sendo nossos amigos no momento isso não importava.

- Isso explica o seu sumiço ontem? – quis saber Marcya.

- Sim, eu o encontrava para caçar, para ele ir se acostumando ao sangue humano e…

- Onde ele está? – perguntou Loma interrompendo.

- Ever… – chamou Alec – Pode trazê-lo.

E então eles apareceram, Damen vinha a frente e Ever meio que o empurrava, ele estava ensopado, com as roupas rasgadas, sua pele branca faziam com que seus olhos, vermelho intenso, se destacasse. Minha respiração ficou presa na garganta, seu cheiro me fez torcer o nariz

- O que você fez? – disse Lynnda em estado de choque. Ela estava visivelmente desesperada. Então eu lembrei do telejornal, do vampiro recém nascido.

- Foi ele quem atacou as pessoas? – Perguntei inesperadamente, todos me olharam por um segundo antes que Ever respondesse.

- Não. Nós não sabemos o que atacou aqueles humanos, se tivesse sido Damen eles seriam vampiros agora… Ou teriam morrido muito antes, Damen ficou isolado todo este tempo no Canadá e até mesmo agora está sob o efeito do poder de Alec.

- Você sabia este tempo todo… – Marcya acusou o irmão. – Você leu a mente de Alec e de Damen e sabia que isso ia acontecer e mesmo assim não nos contou? – Ela estava indignada, e eu também, como Ever pode ser cumprisse disso tudo, como Alec aceitou isso pra começo de conversa. Damen era uma criança perto deles e não tinha idéia do que estava fazendo.

- A decisão foi minha – disse Damen em alto e bom tom – Eu convenci Alec a fazer isso e convenci Ever de não contar a ninguém, não os culpem por me acobertarem porque eles fizeram apenas o que achavam certo. Eu estou ciente de minhas responsabilidades. – Sua voz era melodiosa.

- Você foi irresponsável, Damen – disse Johan – Em todos os aspectos possíveis, as matilhas não ficarão felizes com isso. Nem com você e nem com Alec que já era tido como um antigo inimigo. – Johan estava certo, agora mesmo eu mantia em mente que eles eram nossos amigos pra não acabar com isso eu mesmo, será difícil controlar a matilha quando souberem de tudo.

- Eu posso falar com você? – pediu Damen ignorando Johan e se dirigindo até Loma – Por favor? Eu continuo sendo eu mesmo e meu amor por você é igual a quando eu ainda era humano.

- Eu não ouço o seu coração – disse Loma tocando o peito de Damen com a mão – Seus olhos não são os mesmo e sua pele é fria como gelo… Terá a sua alma, Damen, também permanecido inalterada?

Mas, mesmo assim, eles caminharam para dentro da floresta para conversar. Eu nunca vi um imprinting acabar, mas seria impossível Loma continuar a amá-lo, seria ir contra o que ela é.

- Alec… Eu quero falar com você… Agora – disse Marcya puxando Alec para o interior da casa…

- Nós vamos falar com Seth e avisar que há mais um vampiro por aqui… Um recém-nascido… Espero que isso não cause problemas… – Falei me dirigindo ao outro lado da floresta, mas mesmo antes de proferir as palavras eu sabia que era mentira, isso causaria problemas só não sabia qual a gravidade deles.

Não existe coisa pior do que estar com o destino de alguém em suas mãos. Damen havia errado em querer ser um monstro, Alec havia errado em aceitar ajudá-lo e Ever havia errado em guardar esse segredo, o que era certo fazer agora? Uma escolha errada que pode destruir muitas pessoas ao mesmo tempo.

Capitulo escrito por Sandry

>Capitulo 17

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O Ás de Espadas e a Dama de Copas Parte 2

E eu vi o que não queria ver. Sob uma árvore alta e majestosa cujas folhas agora tingiam-se com a brancura da neve, estava Damen… e presa em seus braços num abraço mortal, estava o corpo de uma jovem menina. Ele estava agachado no chão, de costas para nós, mas eu sabia que suas presas estavam inexoravelmente cravadas na garganta de sua vitima, o som constante da sucção me causou arrepios… Damen estava tão concentrado no sangue, em seu gosto maravilhoso, que não se deu por nós.

“Tome cuidado agora” – pensou Alec.

Nós nos distanciamos e cada um seguiu para um lado, eu me afastei rumando para a esquerda e Alec cobriu o flanco direito… obviamente, quando desse por nós, talvez Damen não nos reconhecesse de imediato e nós não poderíamos permitir que ele escapasse.

“Vou usar meu dom nele…”

Mas, neste mesmo instante, antes que Alec acionasse seu poder, Damen se virou para nós largando no chão a menina… seus olhos ígneos queimavam ensandecidos num fogo rubro, suas presas expostas e seus músculos retesados; ele se agachou no solo em posição de ataque e um rugido gutural escapou de sua garganta.

- Damen – disse Alec com cuidado – Somos nós… tenha calma agora, viemos ajudá-lo.

E um segundo depois eu soube que o pedido de Alec fora inútil, eu ainda não havia presenciado a força dos vampiros recém-nascidos ou sua velocidade que superava em muito a de vampiros mais velhos. Damen se moveu como um relâmpago de ódio e menos de um segundo depois Alec fora atirado contra as árvores da floresta com uma violência desmedida, ele não teve tempo nem de acionar seu poder. Quando ouvi o uivo do vento causado pelo deslocar-se de Damen eu soube que era a vez de usar o meu dom…

Imortais são seres antigos… dizem que descendemos da maldição jogada sobre Caim logo depois que ele matou seu irmão Abel, somos seres velhos e poderosos.. tão poderosos quanto vampiros ou lobisomens. Nossos dons são moldados com o passar dos séculos e quanto mais velho é um imortal… mais poderoso ele se torna; eu aprendi uma arte secreta com um imortal chamado Rasmodeu, um velho ancião que nascera na antiga Babilônia, a arte de controlar o tempo…

Trata-se de uma arte sutil e extremamente proibida, na atualidade apenas eu possuo o conhecimento do controle temporal e do espaço-tempo; e como não possuo aprendiz algum… provavelmente esta arte morrerá comigo. O controle do tempo é muito perigoso, você pode acelerar ou desacelerar o tempo e moldá-lo a seu dispor… a restrição é a de jamais… jamais… viajar ao passado ou ao futuro; esta regra é para evitar que um único indivíduo seja detentor de um poder quase divino… o de alterar o rumo das coisas.

Neste momento, neste segundo infinitesimal… neste centésimo de segundo em que Damen se dirigia como um cometa em minha direção eu libertei o meu dom… num piscar de olhos o vento parou, as nuvens no céu ficaram estáticas e o delicados flocos de neve caíam com uma lentidão artística, o tempo estava parado. Damen se movia para mim com uma demora quase circense… como se estivesse em câmera lenta, seus movimentos eram demorados e monótonos.

Então eu estava diante de um novo dilema, mesmo poderoso como sou… eu não era tão forte como um vampiro… não havia qualquer coisa que eu fizesse para poder deter Damen ou machucá-lo de alguma forma; não havia jeito de eu romper a barreira quase inquebrável de sua pele diamantada. Mas, então eu tive uma idéia súbita… apelei para meus conhecimentos de física; a dureza de um objeto é igualmente frágil na medida de seu ponto de fissão, eu, então, precisava apenas arrumar uma maneira de varar a couraça do vampiro.

Enquanto o mundo se movia mil vezes mais lento do que o normal eu caminhei até a floresta e encontrei um galho nodoso e forte e razoavelmente reto… com a ajuda do cadarço de meu calçado eu amarrei a leve adaga que trago comigo há séculos… era feita de aço temperado e fora confeccionada por um mestre samurai de grande renome no Japão feudal, a lâmina seria suficiente para servir aos meus propósitos.

Eu me posicionei alguns metros à frente de Damen, ainda se movendo com lentidão exagerada, apontei minha lança improvisada na direção de seu peito – eu sabia que isso não o mataria, mas que pelo menos poderia pará-lo até Alec se recuperar – com uma leve alteração de meu dom eu atirei a lança no ar acelerando a lâmina quase à velocidade da luz… o objeto impulsionado nesta velocidade contra um corpo desacelerado deveria ser capaz de romper a dureza da pele de diamante de Damen.

A lança zuniu no ar como um raio fulgurante e cravou-se no peito de Damen, eu ouvi sua pele quebrar e partir em fragmentos prateados… a lâmina da adaga agüentou o impacto e eu soube que meu plano havia tido êxito. Lentamente o rosto de Damen apresentou uma careta de dor e imediatamente eu desativei meu dom e o tempo voltou a correr normalmente.

Um grito horripilante cortou o ar e Damen caiu no chão com a mão trêmula da lança tentando arrancá-la de seu corpo…

- Alec – eu berrei – Rápido antes que ele se solte… use o seu poder nele.

- Como fez isso? – disse Alec se levantando rapidamente.

- Depois – eu rugi – Ande logo…

E Alec então direcionou seu dom para Damen e aos poucos ele parou de se debater e suas mãos caíram inertes ao solo, Alec então reformulou os pontos em que anestesiava e alguns segundos depois Damen ergueu os olhos para nós… apesar de vermelhos eles não continham mais a insanidade de alguns momentos atrás. Parecia quase… humano.

- O quê…?! – ele indagou surpreso com a voz arrastada – Alec… Ever…?!! Mas o que diabos??

- Calma agora, Damen – disse Alec – Você perdeu o controle…

- O que é isso? – ele perguntou olhando estarrecido para o galho que atravessava seu corpo.

- Nós tivemos que pará-lo… você estava louco – eu disse sombriamente.

- Eu vou ajudá-lo… – disse Alec se direcionando até ele, eu segurei seu braço e ele me olhou complacentemente – Não se preocupe, ele está anestesiado pelo meu dom… e você não vai querer deixar o irmão de sua namorada desse jeito… empalado, não é?

Um segundo depois o galho já não estava lá e Damen não fez qualquer sinal de tê-lo sentido sendo retirado, Alec devolveu minha preciosa adaga e eu percebi que o rombo no peito de Damen já estava se cicatrizando, Alec percebeu o meu espanto na rapidez com que o ferimento fechava.

“É o poder do sangue” – pensou ele.

- Damen – eu chamei e ele me olhou como se estivesse dopado – Você lembra de alguma coisa? Qualquer coisa que tenha acontecido desde a noite passada…?

- Eu estava aqui – ele começou e sua voz saiu arrastada – Mas estava chato… é muito isolado este lugar e eu decidi brincar com a minha velocidade, eu lembro que corri para muito longe… corri para o sul… e fiquei com saudade de casa, saudade de Loma… pensei que poderia correr para Forks e dar uma espiadinha nela, mas eu encontrei alguns garotos acampando perto da cidade e a principio eu me afastei sem me incomodar com a presença deles ou com o cheiro doce de seu sangue.. mas um deles estava ferido… um corte não muito profundo no braço, mas o sangue me atraiu demais… a sede me queimou e eu não pude me controlar.. então eu.. eu…

- Você os atacou… – eu completei sem muita piedade.

- Meu Deus… sim, eu os ataquei… eu os matei? – Damen perguntou nos olhando com um ar suplicante – Eles foram transformados?

- Não – respondeu Alec – Não sabemos bem o motivo, mas você parece não possuir veneno… eles morreram… apenas.

- Todos? – disse Damen escondendo o rosto nas mãos – Meu Deus… o que foi que eu fiz?

- Poupe suas tentativas de chorar, Damen… – eu disse sem piedade – Vampiros não choram

- Damen – chamou Alec e ele também não parecia sentir nenhuma pena do menino – E quanto è menina? Aonde você a atacou?

- Menina? – disse Damen nos olhando sem entender.

- Sim, Damen, a menina… ali…!!! – eu disse apontando com raiva o local aonde o corpo imóvel da menina permanecia atirado ao solo.

- Oh não… – ele deixou escapar enquanto olhava para a menina quase morta.

- Oh sim – eu rebati – Onde, Damen?

- Eu não lembro… não lembro – ele disse balançando seu corpo para frente e para trás agarrando o rosto com as mãos, ainda estava ajoelhado na lama mas eu não consegui sentir pena dele, afinal, quando a menina morresse ele seria o responsável pela morte de 7 pessoas.

- Eu vou me entregar… – disse Damen de repente nos encarando com os olhos arregalados – Eu vou me entregar para a polícia… vou até o Chefe Swan e vou me entregar como o assassino daqueles meninos…

- Você ficou louco? – eu me peguei gritando – E como nós faríamos, Damen? Levaríamos todos os dias bolsas de sangue para você se alimentar? Oh, isso sem dúvida não chamaria a atenção… e o que viria depois? Um julgamento? E se você fosse condenado à morte? O que aconteceria quando a cadeira elétrica não te fritasse? E prisão perpétua então? Eles nunca perceberiam que você não envelheceria com o passar do tempo? Sem contar que você devoraria todos os presos que estivesse ao seu alcance não é mesmo?

- O que eu faço então? – ele suplicou.

- Bem, aí está a questão – disse Alec me olhando – O que faremos agora, Ever?

Eu pensei por um segundo e todas as alternativas eram terríveis, qualquer uma encaminhava para um fim fatídico; Damen nos colocou num beco sem saída, a sua transformação já iria causar um furor entre Loma e Lynnda, agora, se elas descobrissem que ele também se tornara um assassino, aí sim a coisa ficaria feia.

- Nós teremos que ocultar isso – eu disse por fim.

- O quê? – se surpreendeu Alec.

- Teremos que omitir tudo.

- Isso não é certo…

- Ora, e há outra escolha? – eu perguntei olhando de Alec para Damen – O problema é que nosso amigo aqui matou pessoas em Port Angeles… que fica muito próximo às fronteiras quileutes e eu duvido que os lobos liguem para este pequeno empecilho geográfico. Além do mais… se contarmos que Damen é o assassino nós teremos um problema imenso com Jacob Black.

- Jacob Black? – perguntou Alec – Mas agora é Seth quem cuida das coisas…

- Não, Seth Clearwater era apenas o regente das matilhas que fora nomeado por Jacob após Sam decidir ter uma vida tranqüila com Emily; agora Jake foi reempossado no cargo de líder e não é segredo que ele não confia em você, Alec.

- O que quer dizer?

- Que Jacob Black caçaria e mataria Damen… e você também. Obviamente eu não permitiria que ele matasse Damen porque afinal de contas ele é irmão de Lynnda e eu não suportaria vê-la tão entristecida; ao mesmo tempo não permitira que ele matasse você, Alec, por que minha irmã também ficaria arrasada. Então, entraríamos em atrito… não apenas com os lobos, mas também com a família de Carlisle.

- Droga… – suspirou Alec percebendo que o circulo de tragédias seria imenso caso o segredo de Damen fosse revelado – Então esconderemos tudo?

- Não – bradou Damen se pondo em pé com dificuldades ainda anestesiado pelo dom de Alec – Eu não vou me ausentar de minha culpa… eu enfrentarei as conseqüências nem que isso custe a minha vida.

- Ah, então agora você resolveu ser nobre? – eu disse com sarcasmo.

- Você perderá mais que isso, Damen – disse Alec – Você perderá Loma.

Isso pareceu atingi-lo além da conta e Damen se mostrou ainda mais arrasado com a idéia de perder o amor de Loma, eu ainda não consegui sentir pena dele e meu cérebro agora funcionava a todo o vapor tentando coordenar as coisas. Damen calou-se totalmente.

- Não conseguiremos ocultar isso por muito tempo, Ever – disse Alec – Mentira é algo perigoso, e segredos também… você não é o único leitor de mentes que nós conhecemos.

- Edward Cullen tem os próprios problemas, Alec – eu respondi enquanto caminhava até a menina moribunda – Além disso, ele não é um santo, é como nós e possui um passado obscuro porque também já matou pessoas… Edward terá de aprender a guardar segredos.

- O que faremos agora?

- Você e Damen cuidarão para ocultar o corpo da menina.

- Ela não está morta ainda, Ever – disse Alec me olhando com desconfiança.

- Não, mas logo estará – eu disse com pesar – Sua coluna está partida ao meio, o sangue de seu corpo foi quase que praticamente drenado por Damen, ela já tem tantas contusões que se conseguisse se recuperar teria uma vida totalmente debilitada.

- Mas ainda respira… – Alec opinou.

- Não mais… – e neste momento a menina, que deveria ter no máximo dezesseis anos de idade, abriu os olhos fracamente e me encarou com medo, seus pensamentos voltaram-se totalmente a seus pais e um garoto que muito provavelmente era seu interesse amoroso, eu encarei seu olhar triste e com a voz baixa sussurrei a ela – Sinto muito… criança.

E com um movimento rápido e vigoroso do pulso eu parti seu pescoço em dois… e seus olhos vidraram para a eternidade enquanto sua vida fluía para o outro mundo.

- Você a matou!!! – berrou Damen dando passos incertos em minha direção – Seu louco… você a matou.

- NÃO – eu gritei de volta empurrando-o para longe – Você a matou, Damen… você matou todos eles, os meninos no acampamento e essa pequena criança. Eu findei a vida dela para proteger você, seu miserável, mas não ouse vincular a morte dela a mim… você foi o responsável, Damen, e só você.

- Parem com isso… temos que terminar aqui – disse Alec.

- Vocês dois – eu disse olhando para eles – Peguem o corpo da menina e enterrem-no no fundo do mar… há um penhasco aqui perto, saltem dele e caminhem para longe da costa; o golfo do Alasca possui um declive profundo e o solo é cascalhento e cheio de rochas… cavem profundo e sepultem o corpo dela.

- Ela deve ter uma família, que está esperando por ela – balbuciou Damen.

- Sim, e graças a você eles jamais voltarão a vê-la – eu respondi inclemente.

Alec caminhou com firmeza e colheu o corpo da menina em seus braços, uma dureza descomunal apossou-se de seu semblante… ele era um Volturi e durante séculos acumulou pilhas de corpos, seu ser já estava acostumado a isso… cavar sepulturas para corpos de inocentes. Eu já presenciei muitas guerras e batalhas, já vi centenas de soldados caírem chorando enquanto eram massacrados… a morte nunca é bonita.

Alec e Damen se afastaram rapidamente e os sons de seus passos desapareceram, eu permaneci ali juntando os cacos de memória da menina que acabara de morrer; nós somos como ânforas, guardamos as memórias dentro de nós… esquecemos algumas mas a maioria permanece viva em nosso pensamento. Eu carrego muitas memórias dentro de mim por todos estes dois milênios de existência, agora, carregaria mais uma lembrança dolorosa dentro de mim… a lembrança de uma menina inocente que morrera sem completar sua vida, uma vida inacabada, seus pais passariam a vida toda procurando por ela sem jamais saberem que ela foi morta por um vampiro num local ermo, que morrera sozinha e fora sepultada no fundo de um oceano gelado e silencioso.

- Está feito – disse a voz de Alec de repente, eu sai do estupor e percebi que a tarde já caía, eles demoraram cerca de uma hora.

- E agora? – quis saber Damen, ele estava ensopado, assim como Alec, mas parecia um pouco mais lúcido.

- Voltamos para casa… você consegue controlá-lo? – eu perguntei encarando Alec.

- Sim, posso desativar seu olfato e sua fome… assim ele não sentirá o cheiro de sangue ou sede; poderemos sair caçar a cada três ou quatro dias e assim ele acostumara com o sangue animal, aos poucos eu posso ir libertando-o de meu dom para ele registrar o cheiro do sangue humano sem sentir sede.

- Então é isso… – eu disse e Alec me olhou de forma estranha o que me forçou a perguntar – Algum problema?

- Você é um homem misterioso, Ever – ele disse desconfiado – Pensei conhecê-lo mas vejo que me enganei, há muito em você que eu não reconheço… você faz o que é necessário não importa as conseqüências, e isso é uma qualidade perigosa.

- Eu fiz o que fiz com a melhor das intenções, Alec Volturi… fiz o necessário para proteger este idiota e a sua própria ingenuidade em confiar num vampiro recém-nascido.

- De boas intenções, Ever… o inferno está cheio.

- Acho que essa observação serve para nós três, não é mesmo? – eu respondi dando as costas aos dois.

A volta foi igualmente monótona, Damen e Alec estavam quietos… Damen ainda em choque com o fato de ter matado tantas pessoas e Alec surpreso com o rumo que as coisas tomaram e com algumas de minhas escolhas; mas eu estranhei esta atitude, sei que Alec agora se preocupa em ser um vampiro do bem… mas certas coisas tem de ser feitas não importam as conseqüências, mesmo que sejam erradas.

Um mau pressentimento tomava conta de mim à medida que rumávamos para o sul em direção a Forks, a cada passo dado eu me recordava daquela maldita carta de ás de espadas que significava desgraça futura. A decisão de Damen se tornar um vampiro, Alec ter cedido e o transformado e a minha escolha em ocultar isso de todos parece ter definido um destino incerto para os envolvidos. Parecia que uma desgraça inadiável aguardava todos nós.

Logo que saímos do litoral do Golfo do Alasca, a neve parou de cair e de se acumular nos cantos, entretanto, uma chuva fina e contínua se derramava por todos os lados… eu estava gelado até os ossos e alguns calafrios percorriam meu corpo. Meu temor aumentou à medida que chegamos a Forks e cruzamos o território dos lobos… era um terreno minado, se eles sentissem o cheiro diferente de Damen viriam investigar, por sorte, o sal do mar gelado do Alasca tirou o cheiro do sangue humano de Damen… uma pena que a água não podia limpar também a sua alma.

Finalmente, nos deparamos com a floresta conhecida que dava para os fundos da casa de Carlisle e o quintal florido de Esme… a chuva tirava a cor do mundo e o céu nebuloso fez com que o dia ficasse mais escuro mesmo ainda não tendo anoitecido.

- Fique aqui com Damen – disse Alec antes de sairmos da floresta – Eu vou chamá-las.

- Ele está controlado? – eu perguntei apontando a cabeça para Damen.

- Sim… não se preocupe – respondeu Alec com desanimo.

Havia um buraco em meu estômago e a ansiedade do que viria em seguida, na realidade Alec não precisou chamar ninguém porque Leah e Johan surgiram num piscar de olhos pela porta de trás e pararam no gramado na frente de Alec. Um segundo depois Lynnda, Loma e Marcya apareceram na porta.

-Quem é o estranho? – perguntou Leah com receio.

- Um momento Leah… por favor – pediu Alec.

- É um vampiro… um estranho vampiro – comentou Johan.

- Ouçam… é muito importante – começou Alec e eu tive que admitir que ele estava sendo bem corajoso – A algum tempo atrás, Damen veio até mim preocupado com a relação dele com Loma… ele temia envelhecer e morrer e perder Loma para sempre… então me pediu para se tornar um imortal.

- Alec? – chamou Marcya e seu rosto tinha a sombra do medo.

- Há quase uma semana atrás eu o transformei em um vampiro – disse Alec sem pestanejar.

- Você fez o quê? – disse Lynnda e eu senti sua voz falhar.

- Você sabe que isso é proibido, Volturi…. – rugiu Johan.

- Foi uma decisão dele…

- Não funciona desse jeito, Alec – disse Leah – Não aqui e não em nosso território.

- Ele não foi transformado aqui, Leah… – respondeu Alec – Eu o levei até um local distante ao norte do Canadá, próximo à passagem para o Alasca e Alec ficou lá todo este tempo anestesiado pelo meu dom.

- Isso explica o seu sumiço ontem? – quis saber Marcya.

- Sim, eu o encontrava para caçar, para ele ir se acostumando ao sangue humano e…

- Onde ele está? – perguntou Loma interrompendo.

- Ever… – chamou Alec – Pode trazê-lo.

Eu meio que tive que empurrar Alec para o quintal onde todos aguardavam ansiosos, Damen estava ensopado e meio esfarrapado e seu aspecto pálido e seus olhos vermelhos como o sangue não ajudaram para melhorar sua aparência. Ouve um suspiro geral e eu vi medo e susto nos rostos de todos… Loma não disse uma palavra apenas levou a mão aos lábios para abafar um grito de dor.

- O que você fez? – disse Lynnda em estado de choque.

- Foi ele quem atacou as pessoas? – perguntou Leah tremendo.

- Não – eu respondi rapidamente – Nós não sabemos o que atacou aqueles humanos, se tivesse sido Damen eles seriam vampiros agora… ou teriam morrido muito antes, Damen ficou isolado todo este tempo no Canadá e até mesmo agora está sob o efeito do poder de Alec.

- Você sabia este tempo todo… – disse Marcya apontando o dedo para mim num misto de indignação e raiva – Você leu a mente de Alec e de Damen e sabia que isso ia acontecer e mesmo assim não nos contou?

Eu fiquei sem resposta e olhei rapidamente para Lynnda, a expressão que se formou em seu rosto lindo quase me destruiu… era uma expressão de quem acabara de ser apunhalada pelas costas… uma expressão de quem acabara de ser traída.

- A decisão foi minha – disse Damen em alto e bom tom – Eu convenci Alec a fazer isso e convenci Ever de não contar a ninguém, não os culpem por me acobertarem porque eles fizeram apenas o que achavam certo. Eu estou ciente de minhas responsabilidades.

- Você foi irresponsável, Damen – disse Johan – Em todos os aspectos possíveis, as matilhas não ficarão felizes com isso. Nem com você e nem com Alec que já era tido como um antigo inimigo.

- Eu posso falar com você? – pediu Damen ignorando Johan e se dirigindo até Loma – Por favor? Eu continuo sendo eu mesmo e meu amor por você é igual a quando eu ainda era humano.

- Eu não ouço o seu coração – disse Loma tocando o peito de Damen com a mão – Seus olhos não são os mesmo e sua pele é fria como gelo… terá a sua alma, Damen, também permanecido inalterada?

Mas, mesmo assim, eles caminharam para dentro da floresta para conversar… e eu implorei aos céus para que Loma ainda o amasse e que o amor dos dois resistisse a essa loucura.

- Alec… eu quero falar com você… agora – disse Marcya puxando Alec para o interior da casa…

- Nós vamos falar com Seth e avisar que há mais um vampiro por aqui… um recém-nascido… espero que isso não cause problemas… – disse Leah enquanto ela e Johan desapareciam pela mata.

Mas o pior estava por vir, Lynnda me olhava muda e com uma expressão de choro no rosto… ela não havia nem se dado o trabalho de encarar o irmão e agora eu sabia que toda a sua mágoa seria descarregada sobre mim.

- Lynnda… – eu disse indo em sua direção mas ela levantou a mão e se afastou de mim.

- Não… – ela disse simplesmente.

- Lynnda… espera!

- Eu disse não… Ever – ela falou alto agora me impedindo de aproximar-se dela.

- Escute, seu irmão tinha o direito de fazer esta escolha… a vida é dele e ele decide o que é melhor para si mesmo.

- Não é assim que funciona, você não compreende? Ele não fez uma tatuagem, Ever, não comprou uma moto escondida ou bateu o carro… isso é irreversível, agora meu irmão esta andando pela casa como um morto-vivo chupador de sangue. E isso é para sempre.

- Foi a escolha dele.

- Damen é jovem demais para saber sobre escolhas… eu sou jovem demais. Desde que meus pais morreram sou eu quem cuida dele, fui eu quem prometeu que tomaria conta dele e agora ele simplesmente me aparece aqui como um vampiro imortal? Ever… meu irmão não é mais humano. – e havia lágrimas brotando de seus olhos amendoados.

- Lynnda…

- Você deveria ter me contado… deveria ter me avisado.

- Eu não quis magoá-la… – eu disse debilmente.

- E como você acha que eu estou me sentindo agora? Você mais do que ninguém deveria me apoiar e me proteger – ela disse chorando abertamente – E foi o primeiro a me esconder isso… o primeiro a não me dizer o que estava acontecendo… Ever, você me traiu.

- Lynnda… eu fiz o que fiz com a melhor das intenções.

- De boas intenções o inferno está cheio… – disse ela repetindo as palavras de Alec, em seguida deu as costas para mim rumando para dentro da casa.

Eu não sabia o que dizer naquele momento, tudo saiu errado… nada saiu como planejado e agora um abismo se abriu entre Lynnda e eu, fiquei sem saber como reagir… eu não queria perdê-la e meu coração sangrava de vê-la chorar e se desfazer em tristeza por uma escolha minha que saiu errada; então, enquanto ela se afastava de mim eu apenas senti a necessidade de tê-la por perto e protegê-la de todos os meus pensamentos… e apenas uma única verdade brotou de meus lábios.

- Lynnda… eu te amo.

Então ela parou… agora a chuva caia mais forte e nossos corpos estavam molhados e trêmulos, tudo estava úmido e triste… Lynnda voltou seu rosto magoado para mim e seus olhos me encararam com estranheza, parecia que a palavra amor se encontrava totalmente fora de contexto.

Lynnda deu alguns poucos passos em minha direção e parou longe de meu toque, ela levou a mão direito até o bolso de trás de seu jeans e retirou de lá um objeto que apenas um momento depois eu percebi o que era: a dama de copas que eu lhe dera algumas noites atrás, o símbolo do amor sincero. Lynnda, então, com um movimento rápido do pulso atirou no ar a carta que girou lentamente diante de meus olhos e cravou-se em pé na lama à minha frente; a face da carta virada para mim, a estampa do coração vermelho agora sujo de barro. Eu levantei os olhos da carta no chão e encarei Lynnda que me olhava com decepção, em seguida sua voz saiu baixa e sussurrante e seu tom continha uma mágoa intensa e profunda.

- Se você não for sincero com quem ama, Ever, tudo não passa… de um jogo.

- Lynnda – eu chamei uma ultima vez mas ela simplesmente se virou e caminhou em direção à casa.

Eu sentia os pingos gelados da chuva em meu rosto enquanto Lynnda se afastava de mim, seu corpo emanando o brilho claro e cintilante da pureza de sua alma, um brilho pungente como o de uma estrela fria e solitária… mas, ainda assim, imaculada. E, agora, mais distante de mim.

Meu coração se aquietou em meu peito e a dor tomou conta do meu ser, pois eu sabia que a minha alma e a minha aura, após todos os acontecimentos desta tarde, se tornaram um pouco mais escuras e…

… sombrias.

Capitulo escrito por Angus

>Capitulo 15

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Alec
Havia chegado odia de irmos pro suposto acampamento, porem eu ainda estava com apreensão. Eume sentia o responsavel de evitar isso, porém era a vontade dele, pensei emminha vida, em como seria se eu tivesse tido uma escolha, e qual seria minhadecisão se me fosse dado a oportunidade de escolher, no fundo eu acho que oentendia. Arrumei minhas coisas silencioso.
-Alec voce jaestá me preocupando, está acontecendo alguma coisa? Marcya perguntou.
-Está tudo bem.
Lhe afirmei.Porem era uma baita mentira, sorte a minha ela não ler minha mente, casocontrario nós discutiriamos sempre, e agora a ultima coisa que eu quero édiscutir com ela. Deu um abraço e eu beijo nela e descemos, pois estava na horade irmos pro “acampamento.” Quando descemos ouvi o final da conversa.
-Eu te amo, teamo, te amo, te amo. Loma falou logo apos ela e o Damen pararem de se beijar.
-Eu te amomais. Ele falou, e eu pude ver a tristeza em sua voz.
-Vamos? Ochamei. –Ou se quiser podemos adiar o acampamento. Dei a opção ja sabendo suaresposta.
-Não. Damencorreu pra negar, claro que ele nao iria voltar atras.
-Se cuida. Lomafalou enquanto nos afastavamos, mal sabia ela tudo o que iria acontecer.
Enquanto iamospro local escolhido, eu passava parte do meu tempo tentando convencer o Damende desistir desse plano louco, e a outra parte tentando me convercer de queisso era certo, eu nao estava mais com um pingo de segurança. Depois de umalonga caminhada chegamos no local escolhido, longe o suficiente dos humanos edos nao humanos. Apos montar a barraca perguntei.
-Preparado? Eleafirmou com a cabeça. –Eu vou usar meu dom em você, e você não vai sentirexatamente nada. O avisei, ele parecia nao me ouvir, entao era isso, era tudoou nada, usei meu dom e ele ficou como se estivesse vegetando, o deitei na camae aproximei minha boca de seu pescoço, nao foi sem sacrificio que senti o sanguedele em minha garganta, e parei de o beber, forçei do meu veneno em todos oslocais possiveis. Damen continuou como um vegetal, sem expressar nenhum sinalde dor. As horas se arrastavam e eu não via a hora da transformação acabar.
Depois dos trêsdias eu retirei meu dom dele, e ele aos poucos foi recobrando a conciência. Elenem parecia ter passado por uma transformação, se não fosse seus olhos,vermelhos brilhantes eu diria que ele estava igual.
-Damen, como sesenti?
-Alec… Eleparou, nitidamente espantado pela sua voz, ela estava em um tom soprano suave.Eu lhe mostrei seu reflexo e ele sorriu de lado, porem ficou chocado com osolhos. Nós já tinhamos planejado tudo, eu voltaria pra casa e diria quetinhamos encontrado um homem machucado e Damem o havia levado pro hospital, jaque eu preferi manter distancia do sangue. Depois disso encontrariamos outrasolução.
-Você vaiperceber que sua garganta está ardendo. Ele fez uma careta e eu sorri. –É vocêpercebeu, a única coisa que ira apagaressa queimação, que mais parece fogo, é o sangue. O sangue humano é o maischeiroso e mais tentador, porem o sangue animal nos sustenta tanto quanto ohumano. Ela mexeu a cabeça, mostrando que estava entendendo.
-Como eu apago o fogo?
-Temos que caçar eu irei te levaragora, e vou te ensinar o que fazer. Fomos pro centro da floresta e logoexpliquei tudo pra ele, e com seu instinto ele logo aprendeu. Enquantovoltávamos pra cabana onde estávamos uma nova preocupação me invadiu, seriaseguro deixar o Damen sozinho?
-Tem certeza que é uma boa vocêficar sozinho? Perguntei a ele enquanto eu pegava a bolsa que levaríamos pracasa.
-Não se preocupe Alec eu nem mesmome sinto um recém nascido.
E era verdade, eu não sei qual arazão, mas ele estava um pouco diferente.
-Ok, mesmo assim eu virei todos osdias.
-Sim, sim.
Agora vinha a pior parte, voltarsozinho e explicar pra Loma onde ele estava, nosso plano cobria somente os doisprimeiros dias. Porem depois eu teria que dar um jeito. Por enquanto estavavalendo à pena a transformação dele.
-Marcya? Chamei assim que entrei emcasa, ela logo estava do meu lado, rodeie sua cintura com meus braços e abeijei.
-Senti sua falta. Ela disse quandonos separamos.
-Eu também.
-Olá casal feliz. Loma disseentrando na sala, ela estava com olheiras fundas, porem com um sorriso enorme,que se desmanchou assim que percebeu que o Damen não estava comigo.
-Onde está o Damen? Ela perguntou,nesse momento todos da casa estavam na sala, Ever fez uma careta vendo em minhamente o que tinha acontecido.
-Nós encontramos um homem ferido eele o levou pro hospital, depois ele encontraria algum familiar dele. Lomaentristeceu evidentemente.
-Por que você não foi junto? Lynndaperguntou, também preocupada com o irmão.
-Sangue. Foi a única palavra que eufalei. Todos aceitaram minha explicação e eu fui pro quarto com a Marcya.
-Está tudo bem? A perguntei. –A Lomaesta com olheiras fundas.
-Ela tem tido pesadelos com Damendurante todos esses dias. Um sentimento de culpa se apoderou de mim. –Como foio acampamento. E então eu novamente menti pra Marcya.
***
Naquele e no dia seguinte eu dei umjeito de sair e ir ver como o Damen estava, aproveitava esse momento para olevar pra caçar. No ultimo dia do meu álibi algo estranho aconteceu.
-Vocês viram o jornal da manhã naTV? Leah perguntou entrando na cozinha onde todos os humanos almoçavam.
-Não o que tinha de novo? Foi aLynnda quem perguntou.
-Foram encontrados ontem à noiteseis corpos humanos em Port. Angeles. Quatro deles estavam mortos sem nenhumsangue no corpo e os outros dois agozivam quase morrendo, e estavam também semquase nenhum sangue. Poucas horas depois eles também morreram.
-Você acha que tem algum vampiro porperto? Loma perguntou já com suas mãos tremendo.
-Eu acho não eu tenho certeza. Emtodos os casos eles encontraram algo estranho no pescoço e nus pulsos, eles nãosabiam o que era porem com a pequena foto que eles mostraram eu soubeimediatamente que era uma mordida de vampiro.
Uma coisa chamou minha atenção, vampirostêm venenos, então esses humanos encontrados ainda vivos tinham que ter setransformado.
-Temos que fazer alguma coisa.
Marcya logo se dispôs porem minhamente não estava mais ali, estava em um recém nascido transformado por mimmesmo, no entanto eu me lembro bem do auto controle do Damen, não poderia serele? Ever me olhava desesperado.
“Vem comigo.” O chamei. E ele logofalou.
-Alec e eu vamos dar uma olhada pelafloresta, pra ver se tem algum rastro ou algo parecido.
-É melhor chamar algum lobo, ou Leahe eu irmos com vocês.
-Não se preocupem nós só vamos daruma olhada, qualquer coisa nós avisamos.
Então nós saímos imediatamente e eume apegava a tudo que podia esperando que não fosse ele.

Fic em conjunto

Cap escrito por Sandry

>Capitulo 14

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Presentimento
O dia de hoje 
Parece estar me escondendo um segredo triste;
Passa arrastado
Cada segundo de uma vez
Soletrando lentamente o tempo
Como antes nunca o fez.
Dando-me a chance de apreciar
Saudades que até então eu não tinha.
Fragrâncias diversas dispersam no ar
É o vento voltando de algum lugar
Trazendo-me lembranças que eu nem sei se são minhas.
Damen
Os dias passavam rapidos e eujá não tinha tanta convicção da minha certeza de querer me tornar um vampiro.
-Você tem mesmo que iracampar? Loma me perguntou com a voz manhosa, era imensamente bom te-la em meusbraços. “ela é loba inimiga natural de vampiros” uma das frases ditas por Alecsempre voltavam em minha mente, e se ela me odiasse? E se ela perdesse oimprinting?
-Amor? Deu um beijo em suatesta sentindo o cheiro doce do seu cabelo.
-Eu prometi. Minha gargataseca fez minha voz ficar rouca, o medo estava prevalecendo. Porem eu queria serimortal, viver com ela e com meus amigos para sempre, ser capaz de a protegerse preciso, e não ter que ficar escondido enquanto ela enfrenta o perigo defrente. –Eu te amo. Sussurrei em seu ouvido. –Lembre-se sempre disso, eu te amomais que tudo. Minhas mãos desceram em suas costas nuas, a tocandodelicadamente,  pude sentir um sorriso seformar em seus labios.
-Eu sei. Subi minha mão porseu rosto o decorando, guardando cada minino detalhe, respirei junto a seulabio e beijei em um selinho demorado. Ficamos até tarde nos tocando e nosbeijando e finalmente nos amando. Já era tarde quando eu adormeci.
***
-Bom dia dorminhoco. Lomafalou sorrindo.
-Que horas são? Pergunteitampando os olhos.
-Onze.
-Já? Falei me sentando nacama, Alec e eu haviamos combinado subir pra acampar as duas horas da tarde.–Tenho que fazer minha mochila.
-Eu ajudo. Loma e eu fizemosminha mochila, colando alguns pares de roupas, kits de primeiro socorros, entreoutras coisas. quando terminamos Loma foi ajudar na cozinha e eu fui até asala.
-Tem certeza do que vai fazer?Ever perguntou assim que eu me sentei ao seu lado. Pensei por alguns minutos setinha ou nao certeza e se eu relamente devia fazer. Loma nunca me perdoaria.–Você está certo.
-Ela vai. Disse com firmesa,tentando convencer a mim mesmo disso.
-Pense bem no que vai fazer.Ever me avisou saindo da sala. Varias perguntas rondavam em minha mente, variasduvidas, eu já nao tinha cinco porcento de certeza de nada.
Loma
Entrei na cozinha pra ajudaras meninas, eu estava nas nuvens, Damen e eu estavamos na melhor fase do nossorelacionamento.
-O que temos pro almoço?Perguntei dando um abraço na Marcya e na Lynnda.
-Salada. As duas falaramjuntas e sorriram. Eu perdi a piada.
-Então quer dizer que nossosnamorados vão nos abandonar por quatro dias completos? Brinquei as provocando.
-Os nossos não Ever não vai.
-Não? Eu perguntei em espanto.–Achei que fosse um acampamento pra homens.
-E é, porem o Ever não quisnos deixar sem proteção. Revirei meus olhos e deixei o assunto morrer.Rapidamente ajudei as meninas a preparar o almoço e logo almoçamos.
-Vou morrer de saudades. Faleibeijando os labios de Damen.
-Vou contar cada segundo longede você. Ele disse antes de aprofundar nosso beijo, de repente algo meincomodou, uma dor no fundo do meu peito, acho que por nós nunca termos nosseparados por mais que poucas horas, desde nos conhecemos.
-Eu te amo, te amo, te amo, teamo. Balbiciei em seus labios logo depois que terminei de o beijar.
-Eu te amo mais.
-Vamos? Alec chamou. –Ou sequiser podemos adiar o acampamento.
-Não. Damen disse tenso derepente.
-Se cuida. Disse o abraçando eo soltando logo em seguida. Fiquei o olhando enquanto eles desapareciam, Marcyaveio para o meu lado e passou o braço pelos meus ombros.
-Quatro dias passam rapido.Ela disse sem um pingo de certeza na voz e eu somente assenti.
***
“Não, não, volte… Eu te amo”eu gritava enquanto via Damen se afastar, seu cheiro estava diferente, seusolhos que eu tanto amo não tinha o mesmo azul, era de um tom vermelho intenso.Senti meu corpo começar a tremer e um rosnado escapar da minha boca.
Se sentei de um pulo na minhacama, estava toda suada, a boca seca.
-Loma. Lynnda e Marcyaentraram no quarto, seus olhos arregalados. –O que… Lynnda começou a dizer,porem Marcya a interrompeu.
-Foi só um sonho ruim.  Ela disse vindo até mim e me abraçando, comcerteza ela já tinha visto tudo na minha mente. Minha mente que estava muitoconfussa no momento, por algum motivo aquele sonho havia mexido comigo, por queeu sonharia com Damen sendo um vampiro?
Damen
Ja faziam duas horas queestavamos caminhando na floresta, Alec poderia nos levar até lá rapidamente,porem eu precisa desse tempo antes de tudo acontecer. Alec vendo a duvida nomeu rosto falou.
-Damen você não está certodisso, vamos voltar. Porem eu não podia voltar, eu tinha que prosseguir.
-Vamos logo. Disse rispido.Continuamos caminhando em silencio, e depois de mais uma hora chegamos ao pontoem que montariamos nossa barraca. Alec rapidamente montou a barraca erapidamente tinha acabado meu tempo, eu tinha uma ultima chance de voltaratras, de decistir de tudos, porem eu não faria isso.
-Preparado? Alec me perguntou,eu não fui capaz de afirmar com a cabeça. –Eu vou usar meu dom em você, e vocênão vai sentir exatamente nada. Eu continuei o olhando, sem nada dizer. Derepente tudo ficou escuro, eu nao sentia meu corpo, não podia ouvir e mesmo meesforçando não conseguia falar e então eu soube, era agora.
Loma
Durante três noites seguidastive o mesmo sonho, todas as notes acordei suando e gritando. Eu não tinhaanimo para nada, não tinha fome e não queria falar com ninguem. Eu precisavaver o Damen, saber que tudo estava bem, afinal isso poderia ser umprecintimento.
-Finalmente. Falei sentando nasala junto com os demais, no quarto dia depois que eles foram acampar. –Elesvontam hoje. Disse com um sorriso no rosto.
-Você está bem? Ever meperguntou, eu notei algo estranho em seu tom, de repente Marcya ficou em alertae se virou para encarar o Ever.
-O que? Ele se elvantou e saiuimediatamente da sala.
-O que aconteceu? Lynnda e euperguntamoa ao mesmo tempo. Ela nos olhou por alguns minutos.
-Não sei… Ele estáescondendo alguma coisa, só não deu pra ver o que.

Autora Sandry

>Capitulo 13

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Eternamente Jovem

Lynnda

Eu despertei quando uma leve brisa cálida tocou meurosto, um cheiro doce de flores do campo pairava por todo o quarto revelando achegada da primavera, as cortinas de seda branca flutuavam ao sabor da brisavespertina dando a impressão de que nosso quarto estava acima das nuvens.
Um impulso me tomou… E eu melevantei e atravessei silenciosamente o quarto chegando até a imensa janela decorrer que dava para a sacada da mansão. O clima estava ameno e sol recémdesperto fulgurava belo e gigantesco, eram raros os dias de sol em Forks equando eles surgiam meu coração se tornava mais leve… As árvores balançavamsuavemente ao sabor do vento liberando no ar um chiado leve que acalmava meuspensamentos… Eu poderia ficar ali, ouvindo as árvores por toda a eternidade.
Eternidade… Esta palavra meassombrava pelos últimos dias….
Meus olhos alcançaram o imensurávelazul do céu, o azul intransponível e eterno… E toda esta imensidão me deixouainda mais aflita e indecisa. Ever estava chateado… Por alguns motivos: arecém luta contra os Imortais e os Volturi, a morte de dois amigos e a minharecusa insistente em aceitar passar a eternidade ao seu lado…
Ever não compreendia os meus medos ejulgo que isso era minha culpa uma vez que eu jamais lhe dissera realmente comome sinto com relação a todas as coisas. Mas era algo que eu não conseguiaexpressar deliberadamente, eu o amava mas viver para sempre não parecia seralgo natural para mim.
Seres humanos não foram criados paraserem eternos. Este mundo repleto de vampiros, lobisomens e imortais meparecia, por vezes, um pesadelo louco do qual eu não conseguia despertar dejeito nenhum… eu lembrava de toda a minha vida antes desta confusão e taislembranças me parecem tão distante quando penso nela.
Minha mãe me deu o nome de Lynnda emhomenagem a minha avó que viera para os EUA fugindo da pobreza da Irlanda…Lynnda Mclister… Eu gostava do meu nome. Nasci na cidade de St. Louis nogrande e lindo estado do Missouri há 17 anos… Sempre vivi e cresci no ladonorte da cidade próximo ao gigantesco Shaw’s Garden, o Jardim Botânicode Sr. Louis que é de longe um dos mais importantes dos EUA. Minha casa ficavaás margens do brilhante e caudaloso Rio Missouri e eu sempre corria lá para vermeu irmão soltar seus barcos de papel na correnteza veloz do rio… o bairro emque eu morava chamava-se Mistic River e não era um bairro rico, entretanto, eraconsiderado o mais tranqüilo da cidade.
As ruas eramlargas e vazias, as casas coloridas eram dotadas de jardins frondosos everdejantes cujos gramados sempre estavam aparados e podados… o riso dascrianças enchia as ruas e tudo era luminoso e belo.
Eu estudeidurante toda a minha breve vida numa escola no mesmo bairro, tinha minhasamigas, minha família e meus sonhos e metas… mas uma terrível tragédia seabateu sobre meu lar e eu e Damen tivemos de partir para nunca mais voltar…
O resto édoloroso demais para ficar lembrando diante de um dia tão lindo…
Subitamente,senti Ever passando seus braços pela minha cintura e beijar meu pescoço…
- Todo o meureino por seus pensamentos… – ele disse baixinho.
- Você sóprecisa me perguntar… – respondi.
- Ainda estáchateada, não é? Com o modo que eu agi…
- Não estouchateada, apenas fiquei ligeiramente… angustiada.
- Me perdoe, euàs vezes ajo como um tolo e me esqueço que dois milênios deveriam ter medeixado um pouco mais… cuidadoso com as palavras que uso ou da intensidadedos meus sentimentos para com você.
- Não é suaculpa… eu queria poder lhe dar tudo o que você deseja.
- Lynnda – eledisse me olhando com aquele par de olhos azuis faiscantes – A única coisa quequero é você.
- Eu sei… –respondi num sussurro enquanto inspirava o cheiro doce da primavera.
- Mas aceitareise você não desejar passar a eternidade ao meu lado. – disse Ever baixinho.
Eu me desprendidele e voltei para a cama me sentando sobre os lençóis alvos de cetim, Ever meolhava e eu fiz sinal para que ele viesse se sentar comigo, ele veio e secolocou à minha frente com as pernas cruzadas, sua camiseta branca apenasrealçava o azul surpreendente de seus olhos azuis.
- Sabe, eu mepergunto se você sempre teve estes olhos azuis ou se eles são resultado de suaimortalidade e de seus poderes estranho… estes olhos são tão… etéreos… –eu disse suspirando, o azul dos olhos de Ever tinha uma beleza impar no mundo,eram luminosos e quase vítreos com uma resplandecência que beirava o exagero;um azul miosótis e ao mesmo tempo pálido que sustentava uma antiguidadeescandalosa e profunda… era impossível não ficar sem palavras diante do olharde Ever.
- Eles sempreforam azuis – ele respondeu – Mas talvez variem de cor dependendo do meu estadode espírito… eu não sei ao certo, nunca havia prestado atenção a isso.
- Meus olhosmudarão de tom se eu me tornar uma imortal completa?
- Sim… sevocê se tornar uma imortal, definitivamente.
- Isso o estátorturando, não é? A minha indecisão… – eu falei sem olhar para ele.
- Eu apenas nãoconsigo compreender… achei que não desejasse a morte…
- Por que pensaassim? – eu perguntei estranhando este pensamento de Ever.
- Quando vocêquase morreu, naquela vez… durante a luta contra o Imortais de Bartolomeu,seus olhos estavam assustados e você não desejava a morte… seus pensamentosestavam arredios e você tinha medo de morrer.
- Eu tinha medode morrer daquela maneira, Ever… – eu disse sem conseguir pronunciar aqueleacontecimento horrendo – Mas a morte em si não me assusta… eu considero umaparte da vida.
- Mas aeternidade lhe permite viver sem jamais esperar que a morte bata em sua porta,Lynnda – ele disse erguendo meu rosto para ele – Viver sem temer doenças oumortes violentas… nós não sofremos como os vampiros que são mortos-vivos,somos humanos que não envelhecem e só.
- Você enjoariade mim com o tempo… – eu disse simplesmente, revelando meu pior temor.
- Como podedizer um absurdo desses? – Everexclamou surpreso e chocado.
- Você enjooude Brigit…
- Foidiferente, Lynnda, eu e Brigit não éramos almas gêmeas… eu me apaixonei porela pelos motivos errados e foi isso, mas nosso caso é diferente…
- Em quê? – euperguntei aflita – O que levou você, um imortal de mais de dois mil anos deidade se interessar por uma garota sem graça como eu?
- Pelos céus,Lynnda… você acordou hoje para falar absurdos – Ever disse espantado – Hámilhares de razões para eu te amar, mas além de tudo, nós simplesmente nãomandamos em nosso coração… você surgiu na minha frente e eu me apaixonei porvocê à primeira vista e tudo o que faço desde então é tentar faze-la feliz. Eua amo por amar… amo porque você me faz bem e porque meu coração é seu…
- Eu me sintouma tola perto de você – eu disse fazendo manha.
- Nós todossomos tolos, Lynnda… todos os seres que amam são tolos… os amantes numgeral são tolos… mas é a tolice mais adorável e maravilhosa que existe nestemundo briguento, você acha que eu não temo que você enjoe de mim com o passardos séculos? Mas é algo que eu estou disposto a enfrentar porqueprefiro mil vezes ser amado por você durante alguns anos do que jamais ter tidoessa chance.
- Não é apenaso seu amor que me apreende, Ever… é um conjunto de coisas.
- Me diga o queé, Lynnda, o que lhe incomoda…. – quis saber ele me olhando preocupado.
- Eu metornaria uma imortal por você… meu amor, mas não sei se quero ser uma imortalpara mim mesma…
- Como assim? -perguntou Ever sem compreender.
- O que metorna humana é a minha capacidade de morrer, Ever. Os seres humanos foramcriados para passar apenas um breve período neste mundo e depois rumar para oinfinito, minha alma é imortal e muitas vezes considero um erro permitir quemeu corpo também se torne eterno.
- Então, vocêconsideraria um peso viver para sempre?
- Querido – eudisse colhendo o rosto dele entre minhas mãos – Não é a eternidade ao seu ladoque me pesaria, mas sim a eternidade sobre este mundo, veja Ever… veja tudo oque há de ruim neste mundo… você tem mais de dois mil anos de idade, é um sermilenar e sua memória se estende a dias antigos… agora me diga, meu amor,você viu mais coisas boas ou coisas ruins realizadas pela humanidade?Parece-me, muitas vezes, que não há razão na existência humana a não ser adestruição… é nossa natureza destruir… e por que eu iria querer viver parasempre apenas para ver o homem destruir este mundo tão lindo?
- Você estágeneralizando, Lynnda. Nem tudo o que os humanos fazem é voltado para destruir,eu sei que muitas vezes você fica entristecida com tudo o que vê nostelejornais e sei que acontece porque você é extremamente sensível a tudo. Mashá bondade nos homens, meu amor, há esperança e eu fico triste de saber quealguém tão jovem como você ignora isso.
- Perdoe-me pornão ser madura o suficiente – eu reclamei com um tom de impaciência.
- Eu não quisdizer isso, Lynnda – disse Ever rapidamente quando eu fiz menção de melevantar.
- Eu sei quenão… mas você disse assim mesmo.
Eu me levanteida cama e fui para o banheiro tomar banho, eu não estava propriamente chateadacom Ever mas queria que ele pensasse que sim; muitas vezes me questiono seminha sanidade mental está realmente funcionando bem. Eu o amo, mas namorar umhomem com mais de dois mil anos de idade tem lá as suas complicações. Ás vezes,Ever age como se eu fosse uma criança boba que precisa de educação edirecionamento… eu sei que ele acha graça nisso tudo, mas eu, particularmente,não gosto disso.
A água do banhocaiu sobre meu corpo com força, relaxando meus músculos e clareando meuspensamentos… talvez eu tivesse exagerado em fazer cena, não queria pareceruma garota mimada. E percebi, com uma pontada de desgosto próprio, que erasempre eu quem cortava as nossas conversas que terminavam sem uma resposta paranossas perguntas, isso era uma falta grave e eu não queria que Ever ficassechateado…
Quando saí dobanho, ele já não estava mais no quarto… sobre a cama arrumada de formaimaculada descansava uma única rosa cujo tom vermelho aveludado contrastavafortemente com a brancura dos lençóis… sob a rosa um único bilhete, escritonuma caligrafia elegante e corrida…
“Sintomuito….”
*************************************************************************

Ever

Penso serindefinível… a imortalidade, não há como simplesmente categoriza-la oucaracteriza-la de alguma forma, a imortalidade é algo lento e estático ondetudo à sua volta passa de uma forma rápida e estonteante. A vida dos humanosparece um mero suspiro diante de meus olhos, são como crianças desajeitadas querumam sem direção até o destino fatídico que as aguarda de forma inexorável; amorte me é estranha porque jamais a encontrei de forma plena e definitiva.
Sou, talvez, umdos seres mais velhos que caminham sobre este mundo e já vi várias guerras,conflitos, desgraças e tristezas que acompanham a humanidade desde que estouvivo; ainda assim me recuso a crer, como crê Lynnda, de que a destruição é anatureza do homem. Ela ainda é jovem demais e isso é a pedra angular de nossosatritos recentes, a impetuosidade de seus pensamentos sempre esbarra nalentidão milenar dos meus… não é culpa dela e nem minha, o conflito de geraçõesé inevitável e, de alguma forma, está me deixando deveras impaciente.
Algo estranhoestar apaixonado… jamais imaginei que seria pego de forma tão irremediávelpor este sentimento. Obviamente eu já amei antes, mas não de um jeito tãoavassalador com que amo Lynnda… é muito mais forte e muito mais intenso doque eu senti por Brigit. E muito… muito mais perigoso. Quem diria! Eu… umcavaleiro, um guerreiro, um diplomata… eu que já fora tantas coisas e queassumi tantos cargos em dois milênios de vida… eu que já lutei em guerras, jácumprimentei reis e presidentes… eu que já conheci o mundo todo… eu, umimortal… derrotado por uma garota linda de apenas 17 anos de idade…
O destino érealmente… irônico.
Eu nasci hámais ou menos 2.612 anos atrás, obviamente, as datas vão sendo uma dificuldadede ordem numérica quando muito distantes, mas, cronologicamente, eu acompanhominha idade graças aos fatos históricos que a cercam. Nasci no ano 600 a.C. naregião da Gália que hoje é conhecida como França, eu pertencia a uma tribogaulesa e era o filho primogênito de um líder poderoso chamado Vercingetórix…ao nascer, meu pai me dera o nome de Everocourcix. Eu cresci em meio a batalhase guerras tribais e sobre o julgo de Roma e do imperador Júlio César que fora oresponsável pela morte dos rebeldes, meu pai morreu em campo de batalha quandoeu contava com 14 anos de idade… eu o vira ser assassinado sobre a pesadaespada de um General Romano. Crescer em meio a um cenário tao devastador e tendoque cuidar de uma irmã mais nova não foi uma tarefa muito fácil e eu tive queamadurecer mais cedo para poder manter Marcya em segurança.
Eu jurei a mimmesmo que viveria o suficiente para ver o vasto Império de Roma ruir e sedesfazer em pó.
Órfão e desprovidode casa e de povo, fui adotado por um velho ancião celta que também era escravode Roma e juntos vivemos durante anos até que ao completar 27 anos de idade,meu bom pai adotivo ficou sabendo de minha promessa insana e de meu ódio aJulio César e seu império escravocrata e mentiroso; o velho acabou me contandosobre uma forma de adquirir a vida eterna e munido desta informação preciosa,fui de encontro ao meu destino carregando junto a minha irmã para enfim, nostornarmos imortais…
Há mais de doismil anos atrás… mas estas lembranças antigas fugiram de minha mente enquantoeu desci as escadas antes de Lynnda sair do banho…
Cheguei aoandar térreo cruzando rapidamente a sala de estar, Leah e Johan namoravam nosofá e eu nem quis atrapalha-los. Os jardins luminosos me receberam comalegria, o sol fulguroso reinava e nuvens em forma de algodão singravamsorridentes o anil do céu; havia flores espalhadas por todos os lados saudandoa chegada sorrateira da primavera e o perfume que desprendiam no ar era capazde inebriar os sentidos tal qual o mais doce néctar dos deuses…
Este estadoluminoso parecia capaz de afugentar a sombra que pairava sobre mim e sobre adúvida de Lynnda, uma dúvida que se mostrou muito mais profunda do que eujamais imaginara, antes eu pensava que ela temia a imortalidade por antever umpossível abandono de meu amor… mas não… o medo de Lynnda é muito maisenraizado e pesado e eu terei de tomar cuidado para não magoá-la oupressiona-la demais.
Então,subitamente, um brilho fulgurou por entre as árvores e o cheiro doce de vampirome atingiu em cheio, um cheiro de flores de cerejeiras… e Alec surgiucaminhando vagarosamente para mim, seus pensamentos angustiados com o pedidodescabido que Damen fez… de tão distraído só se deu conta de mim quando quasese chocou contra meu corpo…
- Ora,perdoe-me Ever… eu não o vi – ele disse com seu sotaque italiano.
- Um vampirodistraído, nunca vi isso – eu respondi rindo.
- Bem…algumas vezes acontece – ele respondeu taciturno.
- Eu entendo,parece que a preocupação nos ronda ultimamente, não é mesmo?
- Sim…parece. Mas o que o está afligindo? Você não estácom uma cara muito boa… numa manhã tão linda…. hum – disse Alec depois deum segundo – Acho que Lynnda… não é mesmo?
- Sim, a fontede todas as minhas preocupações – eu disse num suspiro – Ela está em dúvidaquanto à vida eterna.
- É natural comos humanos, principalmente com uma garota inteligente como Lynnda, o cérebrodela é impressionante, mas eu estranho esta indecisão tanto quanto você… osimortais têm muitas vantagens que os vampiros não tem afinal, vocês continuamhumanos apesar de não poderem morrer.
- A dúvida delaé mais complicada, ela parece não apreciar a idéia de continuar neste mundo pormuito tempo, ao que parece, a imortalidade pesaria para ela com o passar dostempos e ela considera que se tornará infeliz.
- Isso lá éverdade. A imortalidade tende a tornar-se um fardo para nós… Pergunto-me comovocê, com mais de dois milênios de vida ainda não enlouqueceu; raros são oshumanos que realmente considerariam de bom grado viver para sempre.
- Isso não foiproblema para Bella. – eu disse contrapondo.
- Ah – estalouAlec – Mas Edward e Bella são um caso especial… eles nasceram realmente umpara o outro, lembro de quando os conheci pela primeira vez ha muito tempoquando Edward foi até Aro pedindo para morrer achando que Bella se suicidara.Fiquei surpreso, apesar de não demonstrar, quando Bella surgiu para impedi-lode morrer… os dois juntos são como uma força única, algo raro… eimpressionante.
- Eu sei, achoisso também… e compreendo o que você quis dizer… que Bella enfrentariaqualquer coisa e qualquer tristeza para ficar ao lado de Edward e é isso que memagoa… acho que Lynnda não tem a mesma disposição e seu amor por mim élimitado ao medo do futuro.
-Infelizmente… talvez a imortalidade não caia bem para Lynnda.
- Sim, eu temoisso.
-  Não se preocupe… – disse Alec dando umtapinha em meu ombro – Tudo sempre termina bem, de um jeito ou de outro.
- Palavrasinteressantes vindas de uma antiga arma de destruição em massa.
- Golpebaixo… – Alec riu – Talvez sua irmã dê uma luz para ela… as duas combinaramde ir até Forks hoje à tarde.
- Marcya eLynnda… para quê? – eu perguntei estranhando mas Alec deu de ombros,despreocupado.
- Vai saber…– disse ele – Assunto de mulher eu acho… e mesmo você, um leitor de mentes,jamais vai compreender o que se passa na cabeça de uma mulher… sendo imortalou não, o pensamento delas sempre será um enigma para nós.
E ele seafastou em direção à mansão cantarolando uma canção em italiano, eu não pudedeixar de sorrir achando graça de Alec, ele que fora arauto de Aro Volturi e umdos mais poderosos entre sua guarda agora não passava de um bobo amante. Eraimpressionante o que o amor é capaz de fazer com as pessoas, sendo vampiro,imortal ou lobo… este sentimento te transforma de uma forma incrível e fazcom que você mude completamente tanto por dentro quanto por fora…
Sem dúvidaalguma o amor era a arma mais letal que existia no mundo…
Mas estesentimento tão avassalador, poderia, enfim, ser imortal?

Fic em conjunto
Autor do capitulo Angus

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